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Suplementos de proteína e creatina podem fazer mal aos rins?

29 de set.
3 min de leitura

O uso de whey protein, outros suplementos proteicos e creatina se tornou comum entre quem pratica atividade física, busca ganho de massa muscular ou quer melhorar o desempenho. Junto com a popularidade, também surgiu uma dúvida frequente: esses suplementos podem sobrecarregar ou prejudicar os rins?


A resposta não é simplesmente “sim” ou “não”. É preciso considerar a quantidade utilizada, a alimentação como um todo e, principalmente, se a pessoa possui alguma alteração renal ou outra condição de saúde.


Proteína em excesso prejudica os rins?


Os rins participam da eliminação de resíduos produzidos pelo metabolismo das proteínas. Por isso, quanto maior o consumo proteico, maior pode ser a demanda relacionada ao processamento desses compostos. Isso, porém, não significa automaticamente que uma dieta rica em proteínas provoque doença renal em uma pessoa saudável.


Em indivíduos saudáveis e fisicamente ativos, os estudos disponíveis não demonstram que o consumo elevado de proteína, dentro de contextos adequados, necessariamente provoque lesão renal. A situação muda quando já existe doença renal, pois a quantidade de proteína pode precisar ser individualmente ajustada. A National Kidney Foundation alerta que quantidades muito grandes, especialmente por meio de suplementação desnecessária, podem representar uma preocupação maior para pessoas com doença renal.


E a creatina? Ela aumenta a creatinina


Aqui existe uma confusão importante: creatina e creatinina não são a mesma coisa. A creatinina é um produto relacionado ao metabolismo da creatina e costuma ser utilizada nos exames de sangue como um dos marcadores para avaliar a função dos rins. Quem utiliza creatina pode apresentar uma elevação da creatinina sanguínea sem que isso, isoladamente, signifique uma lesão renal.


Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 encontrou justamente esse cenário: a suplementação de creatina esteve associada a um pequeno aumento da creatinina, mas sem alteração significativa da taxa de filtração glomerular ou da ureia. Por isso, é importante que o profissional que interpreta os exames saiba que o paciente utiliza creatina.


Então a creatina faz mal aos rins?


Para pessoas com rins saudáveis, as evidências atuais são tranquilizadoras quando a creatina é utilizada em doses usuais. Outra revisão sistemática e meta-análise concluiu que, apesar de uma discreta elevação da creatinina, não foram observadas alterações significativas na taxa de filtração glomerular, um indicador importante da função renal.


Isso não significa, porém, que qualquer pessoa deva começar a suplementar sem considerar seu estado de saúde. Ainda são necessários mais estudos de longa duração, e a atenção deve ser maior em pessoas que já apresentam alguma alteração nos rins ou fatores que podem comprometer a função renal.


Quem precisa ter mais cuidado?


Pessoas com doença renal preexistente devem conversar com o médico ou nutricionista antes de utilizar creatina ou aumentar significativamente a ingestão de proteínas. Condições como diabetes e hipertensão também merecem atenção, especialmente quando já existe comprometimento da função dos rins.


Nesses casos, suplementação não deve seguir simplesmente a mesma estratégia utilizada por amigos, influenciadores ou colegas de academia. Exames, alimentação, medicamentos utilizados, necessidades nutricionais e função renal precisam ser considerados individualmente.


Suplemento não deve ser sinônimo de excesso


Mais não significa necessariamente melhor. A quantidade de proteína necessária varia de acordo com fatores como peso, idade, alimentação, nível de atividade física, objetivo e condições de saúde. O suplemento é apenas uma forma prática de complementar a ingestão quando existe necessidade — ele não precisa estar presente na rotina de todas as pessoas.


O mesmo raciocínio vale para a creatina. Apesar de apresentar um bom histórico de segurança em indivíduos saudáveis quando utilizada adequadamente, é importante avaliar indicação, procedência do produto e quantidade utilizada.


Antes de suplementar, conheça a saúde dos seus rins


Proteína e creatina não devem ser automaticamente tratadas como inimigas dos rins. Para pessoas saudáveis, as evidências disponíveis não mostram que o uso adequado desses suplementos necessariamente cause dano renal. Entretanto, quem já apresenta alterações renais precisa de uma avaliação individualizada, pois as recomendações podem ser diferentes.


Se você utiliza suplementos regularmente ou pretende começar, especialmente se possui alguma condição de saúde, converse com um profissional. Avaliar a função renal e definir uma estratégia adequada permite aproveitar os possíveis benefícios da suplementação sem transformar uma escolha nutricional em um risco desnecessário.

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