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Placas nas artérias aparecem em 1 de cada 13 adultos antes dos 30 anos, aponta estudo

há 11 minutos
7 min de leitura

A ideia de que problemas cardiovasculares são exclusivos de pessoas mais velhas está sendo questionada por novas descobertas científicas. Um estudo internacional publicado em agosto de 2026 na revista The New England Journal of Medicine revelou que aproximadamente um em cada 13 adultos entre 18 e 29 anos já apresenta placas de aterosclerose em pelo menos uma artéria, mesmo sem sintomas ou diagnóstico prévio de doença cardiovascular. O resultado chama a atenção para a importância de cuidar da saúde do coração desde cedo.


A pesquisa, denominada REACT, avaliou 16.808 pessoas com idades entre 18 e 70 anos, na Dinamarca e na Espanha. Os pesquisadores identificaram sinais de aterosclerose em 57,1% dos participantes, demonstrando que o acúmulo de placas pode começar muito antes do aparecimento de complicações graves. Os resultados reforçam a necessidade de prevenção e acompanhamento dos fatores de risco cardiovasculares ao longo da vida.


O que são as placas que se acumulam nas artérias?


As placas de aterosclerose são formadas pelo acúmulo de colesterol, gorduras, células inflamatórias, tecido fibroso e, em alguns casos, cálcio nas paredes das artérias. Esse processo ocorre gradualmente e pode provocar alterações na estrutura dos vasos sanguíneos, comprometendo sua elasticidade e dificultando a passagem do sangue. A aterosclerose é uma das principais causas de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC).


O desenvolvimento dessas placas geralmente começa de maneira silenciosa. Durante muitos anos, a pessoa pode não apresentar qualquer desconforto, mesmo com alterações nas artérias. Conforme a doença avança, algumas placas podem aumentar de tamanho e reduzir o espaço disponível para a circulação sanguínea. Além disso, determinadas placas podem se romper e favorecer a formação de coágulos, provocando a obstrução repentina de uma artéria.


O que revelou o estudo sobre os adultos mais jovens?


Os pesquisadores utilizaram exames de imagem para analisar artérias localizadas no pescoço, nas pernas e no coração dos participantes. Entre os adultos de 18 a 29 anos, aproximadamente 7,7% apresentavam sinais de aterosclerose em pelo menos uma região examinada. O percentual foi de 8,7% entre os homens e 6,7% entre as mulheres dessa faixa etária. Esses resultados demonstram que alterações vasculares podem estar presentes mesmo em pessoas consideradas jovens e aparentemente saudáveis.


A frequência das placas aumentou progressivamente com a idade, chegando a aproximadamente nove em cada dez participantes entre 60 e 70 anos. É importante destacar, entretanto, que os resultados representam a população estudada na Dinamarca e na Espanha e não devem ser automaticamente aplicados a todos os países. Além disso, encontrar uma placa não significa que a pessoa sofrerá necessariamente um infarto ou AVC, mas indica a presença de uma alteração que merece avaliação do risco cardiovascular.


Por que as placas podem surgir antes dos 30 anos?


O desenvolvimento precoce da aterosclerose está relacionado a uma combinação de fatores genéticos, metabólicos e comportamentais. Níveis elevados de colesterol LDL, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares aumentam o risco de alterações nas artérias. Em determinadas pessoas, predisposições hereditárias podem favorecer o acúmulo de colesterol desde a infância ou adolescência, contribuindo para o aparecimento antecipado das placas.


Os hábitos cotidianos também exercem influência importante nesse processo. Uma alimentação com excesso de gorduras saturadas, o sedentarismo, o consumo de cigarros e a exposição prolongada a fatores de risco metabólicos podem favorecer a progressão da aterosclerose. Isso significa que a saúde cardiovascular é construída ao longo dos anos e que escolhas realizadas na juventude podem influenciar significativamente o funcionamento das artérias nas décadas seguintes.


Por que a aterosclerose é considerada uma doença silenciosa?


Uma das principais características da aterosclerose é a possibilidade de evoluir durante muitos anos sem provocar sintomas perceptíveis. Isso acontece porque, inicialmente, as alterações nas paredes das artérias podem não comprometer significativamente o fluxo sanguíneo. O organismo também possui mecanismos de adaptação que, em determinadas situações, permitem manter a circulação mesmo diante de alterações estruturais nos vasos.


Entretanto, a ausência de sintomas não garante que as artérias estejam saudáveis. Em alguns casos, a primeira manifestação da doença pode ser uma complicação grave, como infarto ou AVC, especialmente quando ocorre a ruptura de uma placa e a formação de um coágulo. Por esse motivo, a prevenção cardiovascular não deve depender exclusivamente do aparecimento de dores no peito, falta de ar ou outros sinais de alerta.


Quais são os principais riscos do acúmulo de placas?


As consequências da aterosclerose dependem principalmente da localização das placas, do grau de comprometimento das artérias e de suas características. Quando afeta as artérias coronárias, responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco, a doença pode provocar angina e infarto. Nas artérias que irrigam o cérebro, pode contribuir para a ocorrência de AVC. Já nas artérias das pernas, pode causar doença arterial periférica, que pode provocar dor ao caminhar e, em casos avançados, comprometimento da circulação.


É importante compreender que nem toda placa produz obstrução importante ou exige procedimentos invasivos. Algumas alterações permanecem estáveis por longos períodos, especialmente quando os fatores de risco são adequadamente controlados. Outras podem progredir ou apresentar maior vulnerabilidade à ruptura. A avaliação médica considera não apenas a presença de placas, mas também o histórico clínico, os exames laboratoriais e o risco cardiovascular global de cada paciente.


Como descobrir se existem placas nas artérias?


A avaliação cardiovascular começa com a investigação dos fatores de risco, incluindo pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, histórico familiar e hábitos de vida. Dependendo da idade, dos sintomas e das características individuais, o médico pode solicitar exames complementares para avaliar a circulação e identificar possíveis alterações. O objetivo é reconhecer situações que necessitam de acompanhamento ou tratamento antes do desenvolvimento de complicações.


No estudo REACT, os pesquisadores utilizaram técnicas de imagem como ultrassonografia vascular e angiotomografia das artérias coronárias. Esses métodos permitem investigar a presença de placas em diferentes regiões do corpo. Entretanto, isso não significa que todos os jovens devam realizar exames de imagem das artérias. A indicação precisa ser individualizada, pois os benefícios de um rastreamento universal ainda estão sendo estudados e alguns exames envolvem custos, radiação ou outros riscos.


O que o estudo descobriu sobre homens e mulheres?


Os resultados mostraram diferenças importantes na evolução da aterosclerose entre homens e mulheres. Nos homens, a frequência das placas começou a aumentar mais cedo, com um padrão de desenvolvimento aproximadamente cinco a dez anos à frente do observado nas mulheres. Esse comportamento pode estar relacionado a diferenças hormonais, metabólicas e de exposição aos fatores de risco cardiovascular ao longo da vida.


Entre as mulheres, os pesquisadores observaram um aumento mais acentuado da aterosclerose durante a meia-idade, especialmente na transição para a menopausa. As mudanças hormonais desse período podem influenciar o metabolismo do colesterol e outros fatores associados à saúde vascular. Apesar dessas diferenças, tanto homens quanto mulheres devem acompanhar a pressão arterial, os níveis de colesterol e os demais indicadores de saúde cardiovascular.


É possível prevenir o aparecimento dessas placas?


A prevenção da aterosclerose envolve principalmente o controle dos fatores que favorecem seu desenvolvimento. Manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, não fumar e acompanhar os níveis de colesterol, glicose e pressão arterial são medidas fundamentais. Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, fibras, grãos integrais e fontes saudáveis de gordura pode contribuir para a proteção do sistema cardiovascular.


A prática de atividades físicas também desempenha papel importante na prevenção. Para adultos, recomenda-se, de maneira geral, pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular. Dormir adequadamente, controlar o peso quando necessário e evitar o consumo excessivo de álcool também são atitudes que favorecem a saúde. Em pessoas com risco cardiovascular elevado, o médico pode indicar medicamentos para controlar o colesterol ou outros fatores de risco.


As placas nas artérias podem desaparecer?


A aterosclerose é uma condição crônica, mas sua progressão pode ser reduzida com tratamento adequado. Em determinadas circunstâncias, especialmente com a redução intensa do colesterol LDL, algumas placas podem apresentar diminuição de volume ou alterações em sua composição que as tornam menos propensas a causar complicações. No entanto, isso não significa que todas as placas desapareçam completamente ou que as artérias retornem necessariamente à condição original.


O tratamento depende das características de cada paciente e pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos para reduzir o colesterol e controle de doenças associadas, como hipertensão e diabetes. Em situações específicas, quando existem obstruções importantes ou manifestações clínicas, podem ser necessários procedimentos como angioplastia ou cirurgia vascular. A decisão deve ser tomada por um especialista, considerando os benefícios e riscos de cada abordagem.


O que essa descoberta muda na prevenção cardiovascular?


Os resultados do estudo REACT reforçam a ideia de que a prevenção cardiovascular precisa começar antes do aparecimento dos sintomas. Durante muito tempo, as doenças das artérias foram associadas principalmente ao envelhecimento, mas a identificação de placas em adultos jovens demonstra que o processo pode começar décadas antes de suas manifestações clínicas. Essa constatação abre espaço para discutir estratégias mais individualizadas de avaliação e prevenção.


Os pesquisadores também planejam investigar se a utilização de exames de imagem para identificar precocemente a aterosclerose pode melhorar os resultados de programas preventivos. A próxima fase do projeto, prevista para o período de 2027 a 2032, deverá avaliar se estratégias orientadas por imagens conseguem reduzir a progressão da doença de maneira mais eficaz. Por enquanto, a descoberta não altera automaticamente as recomendações de rastreamento para toda a população jovem.


Cuidar do coração desde cedo pode fazer a diferença


O principal alerta da pesquisa é que a juventude não representa proteção absoluta contra problemas cardiovasculares. Mesmo sem sintomas, uma pessoa pode apresentar alterações nas artérias que, ao longo dos anos, aumentam seu risco de complicações. Por isso, conhecer o histórico familiar, acompanhar indicadores de saúde e adotar hábitos saudáveis são atitudes importantes desde as primeiras décadas da vida adulta.


Mais do que provocar preocupação, os resultados mostram uma oportunidade de agir preventivamente. Quanto mais cedo os fatores de risco forem identificados e controlados, maiores poderão ser os benefícios para a saúde cardiovascular a longo prazo. Cuidar do coração não deve começar apenas quando aparecem os primeiros problemas: é um compromisso que precisa acompanhar todas as fases da vida.

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