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Arritmia, pressão alta e problemas de memória: os impactos da apneia do sono

há 11 minutos
4 min de leitura

Roncar muito, acordar várias vezes durante a noite ou levantar da cama com a sensação de que não descansou podem parecer problemas comuns. No entanto, esses sinais também podem estar relacionados à apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por episódios repetidos de obstrução das vias aéreas durante o sono, provocando redução ou interrupção temporária da respiração.


Esses episódios podem acontecer muitas vezes ao longo da noite e provocar quedas na oxigenação, além de pequenos despertares que fragmentam o sono. O resultado vai muito além do cansaço no dia seguinte: quando não tratada, a apneia pode afetar o sistema cardiovascular, o cérebro, o metabolismo e a qualidade de vida.


Apneia do sono e pressão alta: qual é a relação?


Durante um episódio de apneia, a quantidade de oxigênio no sangue pode diminuir. O organismo interpreta essa situação como uma ameaça e ativa mecanismos de alerta, aumentando a atividade do sistema nervoso simpático. Isso pode provocar elevações temporárias da frequência cardíaca e da pressão arterial repetidamente durante a noite.


Quando esse processo acontece noite após noite, pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da hipertensão. A apneia também é particularmente importante na investigação de pessoas que apresentam hipertensão resistente, ou seja, pressão que permanece elevada apesar do uso adequado de diferentes medicamentos.


O coração também pode sofrer


A combinação de queda de oxigênio, alterações da pressão dentro do tórax e ativação constante dos mecanismos de estresse do organismo aumenta a sobrecarga cardiovascular. Ao longo do tempo, a apneia do sono não tratada está associada a maior risco de diferentes doenças cardiovasculares.


Pessoas com apneia também apresentam maior ocorrência de algumas arritmias cardíacas, especialmente fibrilação atrial. Além disso, a condição está associada a problemas como doença coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC), principalmente quando coexistem outros fatores de risco.


Memória e concentração podem ser prejudicadas


O cérebro precisa de um sono adequado para desempenhar diferentes funções, inclusive aquelas relacionadas à atenção, ao aprendizado e à consolidação das memórias. Na apneia, os repetidos despertares impedem que o sono mantenha sua continuidade e qualidade ao longo da noite.


Por isso, algumas pessoas podem apresentar dificuldade de concentração, esquecimentos, sensação de raciocínio mais lento e queda de desempenho no trabalho ou nos estudos. Muitas vezes, esses sinais são atribuídos apenas ao estresse ou à rotina, enquanto um distúrbio do sono pode estar contribuindo para o problema.


Cansaço e sonolência durante o dia


Dormir durante várias horas não significa necessariamente ter um sono reparador. Uma pessoa com apneia pode passar sete ou oito horas na cama e ainda assim acordar cansada, justamente porque seu sono foi interrompido inúmeras vezes — muitas delas sem que tenha consciência dos despertares.


A sonolência excessiva durante o dia pode prejudicar produtividade, disposição e qualidade de vida. Em situações mais graves, pode ocorrer cochilo involuntário durante atividades que exigem atenção, inclusive ao dirigir, aumentando o risco de acidentes.


Ronco é sempre sinal de apneia?


Não. Uma pessoa pode roncar sem necessariamente apresentar apneia do sono. Entretanto, ronco intenso e frequente, principalmente quando acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite, merece investigação.


Muitas vezes, quem percebe esses episódios é a pessoa que dorme ao lado. Outros sinais incluem acordar com boca seca, dor de cabeça pela manhã, sono não reparador, irritabilidade, dificuldade de concentração e sonolência durante o dia.


Como descobrir se tenho apneia do sono?


O diagnóstico deve ser realizado por um profissional de saúde e envolve avaliação dos sintomas, histórico clínico e fatores de risco. Quando existe suspeita, um dos principais exames utilizados é a polissonografia, que registra diferentes parâmetros do organismo enquanto a pessoa dorme.


Dependendo do caso, o exame pode ser realizado em laboratório do sono ou, para determinados pacientes, por meio de equipamentos apropriados para avaliação domiciliar. O objetivo é identificar eventos respiratórios durante o sono e avaliar sua frequência e gravidade.


A apneia do sono tem tratamento?


Sim. O tratamento é definido de acordo com a gravidade, as características do paciente e as causas envolvidas. Medidas como controle do peso, atividade física e evitar álcool próximo ao horário de dormir podem fazer parte da abordagem. Em alguns pacientes, dispositivos intraorais também podem ser indicados.


Nos casos em que há indicação, o CPAP é um dos principais tratamentos. O aparelho fornece pressão positiva através de uma máscara, ajudando a manter as vias aéreas abertas durante o sono. Existem ainda situações em que tratamentos cirúrgicos ou outras abordagens podem ser considerados.


Não ignore os sinais que aparecem durante o sono


A apneia não deve ser encarada apenas como um problema de ronco. As interrupções repetidas da respiração e a fragmentação do sono podem repercutir em diferentes partes do organismo, inclusive no coração e no cérebro.


Se você ronca intensamente, apresenta pausas respiratórias durante o sono, acorda constantemente cansado ou sente sonolência excessiva durante o dia, procure avaliação profissional. Investigar e tratar a apneia do sono pode melhorar a qualidade do descanso e ajudar a reduzir importantes riscos à saúde.

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